terça-feira, 19 de setembro de 2017

Terredora Fiano di Avellino 2011: Leve e floral

Terredora Fiano di Avellino Terre di Dora 2011: Vinho de cor clara, aromas florais, pera e cítricos, com fundo amendoado. Em boca, boa acidez, leve e cremoso, com toques de cera de abelha. Um bom vinho da Campagna, que ganhou 95 pontinhos da Decanter e figurou entre os seus melhores 50 vinhos do ano de 2013. Bom para acompanhar peixe.




segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Quinta da Bacalhôa 2014: Ainda melhor que o 2013!

Quinta da Bacalhôa 2014: Cabernet Sauvignon com aquela pitadinha marota de Merlot. Este 2014 está uma beleza! Para mim, melhor que o anterior, de 2013, que bebi algumas vezes mas ainda não postei. O 2014 está  com aromas de frutas maduras, alcaçuz e um mentolado elegante ao fundo. Não há exagero da pimenta-do-reino, que achei um pouco saliente em alguns exemplares anteriores. Em boca, fruta madura bem integrada à madeira, toque licoroso, boa acidez e taninos redondos. A madeira aparece, mas não incomoda. É vinho que deve ganhar com o tempo, mas que já pode ser apreciado. Mais um ótimo Bacalhôa!

domingo, 17 de setembro de 2017

Vinho bão não é só vinho: Também é queijo bão!

Quem gosta de vinho costuma também gostar de outras coisas boas, como bons cafés, azeites, queijos etc. Eu gosto de tudo isso. E como bom mineiro, vizinho da Serra da Canastra, gosto muitos dos queijos de lá. 
Canastra Mariane - Feito na Fazenda Cravo e Prata, em Medeiros, Minas Gerais. Fica em direção oposta a São Roque de Minas, ao norte. Comprei em na Casa do Queijo, em Paraguaçu, entre Lavras e Poços de Caldas.
Tinha um mês de maturação e deixei mais dois meses. Maturação perfeita, com formação de mofo branco sobre a peça. Bela cor e textura. Sal no ponto certo. Ótimo queijo! Matura muito bem.
Canastra Fazenda Jacob: Produtores Dhaniella e Vivaldo. Queijo premiado, de São Roque de Minas, que adquiri em Serra Negra, SP, em viagem recente. Bom preço e com maturação de 6 meses. Casca muito saborosa, com camada de mofo. Textura cremosa, massa muito fina. Para acompanhar um bom vinho do Porto. Muito bom! Se encontrar, compre.

Canastra Estância Capim Canastra: De São Roque de Minas, produtor Guilherme. Queijo premiado recentemente em concurso na França (Medalha de prata entre 600 queijos). Vejam abaixo o danado aberto.

Casca oleosa, cor branca interna bem bonita, ótima textura, sal correto e sabor incrível! Um dos melhores canastra que comi. Delicioso! Foi unanimidade em uma prova que fizemos entre os confrades. Excelente! 

Canastra do Reginaldo: Fazenda Campo Belo, Medeiros, MG. Uma grata surpresa! Não conhecia o danado, que surpreende pela casca bonita e interior cremoso. Meus confrades pensaram se tratar de um exemplar francês, pela textura cremosa e sabor marcante. Uma delícia de queijo, que prova que podemos fazer ótimos queijos em nossa querida Minas Gerais. Excelente! Vou comprar mais!

Canastra do Zé Mário: São Roque de Minas. Este é famoso. O produtor já apareceu várias vezes em reportagens na TV. Um dos responsáveis pela visibilidade dos Canastra. E o queijo faz bonito. Casca amarela, bonita, oleosa, e interior bem branco, com ótima textura e muito saboroso. Justifica a fama. Ótimo Canastra! 
Obs. Esses últimos 3 queijos eu comprei em Passos, na Venda do Mineiro, que tem grande variedade. Se passar por lá, visite. Facebook.




Peter Lehmann Riesling Eden Vallley 2008: "Querosene" demais pro meu gosto!

Peter Lehmann Riesling Eden Valley 2008: Australiano de grande produtor, com aromas minerais muito evidentes, aquele toque de "petróleo" muito forte para o meu gosto, suplantando a fruta, marcada por abacaxi e cítricos. Em boca, acidez vibrante e mineralidade. Eu gosto de vinhos feitos com a Riesling, mas não quando são marcados demais pelo toque de "petróleo". Aliás, para mim, não gosto de vinhos com exageros, sejam lá quais forem. Mas eles têm seu público.


terça-feira, 12 de setembro de 2017

Noitada com: Sassoalloro Oro 2006, Duckhorn Cabernet Sauvignon Napa Valley 2014, Tokaji Oremus 6 Puttonyos 2000 e outros vinhões

Noite na casa do Cássio, regada a muito vinho, comida e companhias da melhor qualidade. O Paul, Rei dos Portugueses, está diversificando. Levou um Sassoalloro Oro 2006, de Jcopo Biondi Santi. Já bebemos o Sassoalloro 2006 normal, da mesma (ótima) safra. Inclusive, em uma das oportunidades, ele foi levado pelo próprio Paul. Mas este Oro se mostrou bem melhor que o outro. Parece que a diferença em relação ao outro é apenas mais tempo de repouso nas caves do Castello de Montepò. E pelo visto, isso fez bem. O vinho tem aromas de cereja e especiarias doces, e em boca mostrou grande maciez e taninos finos. Muito elegante! Eu esperava até um pouco mais de pegada, mas pelo jeito, a proposta dele é outra. Evaporou logo nas taças, mostrando que foi o que mais agradou. 
Outro que me agradou foi o levado pelo Thiago. Ele estava um pouco dele, pensando que se trataria de um vinho extraidão, repleto de baunilha e madeira. Mas não! O Duckhorn Cabernet Sauvignon Napa Valley 2014 tinha muitas qualidades. Aromas de cassis e apimentados (sem exageros) se mesclavam a notas de cedro e alcaçuz. Em boca, a juventude era evidente, mas com o tempo em taça ganhava equilíbrio. Boa acidez e taninos firmes, aguardando alguns anos para ficarem mais redondos. Final longo e picante. Muito bom vinho, que iria ganhar com alguns anos de adega. 
O Tonzinho levou o chileno Siegel Unique Selection 2013. O vinho é feito com Cabernet Sauvignon, Carménère e Syrah. Tem aromas que, obviamente, entregam sua nacionalidade e composição. As notas de cassis e cereja se mesclam a notas apimentadas e de chocolate amargo. Em boca é picante, com taninos presentes e final especiado. Precisava ter sido decantado para que se acalmasse um pouco. Para mim, tem complexidade e qualidades que indicam bom potencial de guarda. Agora, ainda está muito jovem. Se for beber, duas horas de decanter no mínimo. Ah, e não é para se beber solo... Precisa de uma boa carne. 
Os outros vinhos da noite, quase todos já pintaram por aqui e estão na foto a seguir:
Greywacke Pinot Noir 2011 (levado por mim e que já pintou aqui no blog); Um branco que não bebi; Sassoalloro Oro 2006, Tokaji Oremus 6 Puttonyos 2000, Beronia Gran Reserva 2008 (ofertado pelo Cássio, e que também já pintou aqui no blog), Siegel, Altos las Hormigas Paraje Altamira 2011 (levado pelo Caião e por diversas vezes aqui no blog) e Duckhorn CS 2014
Mas é claro que eu não poderia deixar de mencionar aquele que fechou a noite com total maestria, ofertado pelo Cássio: Tokaji Oremus 6 Puttonyos 2000! Já bebemos um desse anos atrás e ele deixou lembranças belíssimas! Um grande vinho com o carimbo da Vega Sicilia. Bela cor dourada, aromas de frutas secas, doce de casca de laranja, mel e gengibre. Em boca, untuoso, com a acidez equilibrando o dulçor. Final interminável! Uma beleza de vinho!!!






domingo, 3 de setembro de 2017

3 vinhões: Muga Prado Enea 2009, Brunello di Montalcino Castiglion del Bosco 2012 e Foradori Granato 2004

Noite com IBOPE baixo... Só 3 dispostos a beber bons vinhos: JP, Tonzinho e eu. Mas quem não foi, perdeu. O Tonzinho levou um Muga Prado Enea 2009, que já pintou por aqui e dispensa mais comentários. Muito bom vinho! Mas eu vou deixar a garrafa que tenho para beber daqui a uns anos, pois acho que deve melhorar muito. Agora, apesar do vinho ser grande, eu ainda prefiro o 2004...rs. Talvez por que o tenha bebido mais "velhinho"...
Eu levei um Foradori Granato 2004, vinho top de gama da Elisabetta Foradori, craque de Trentino-Alto Adige. Gosto demais dos vinhos dela, que produz sem muita intervenção, não adiciona sulfitos, usa só leveduras da própria uva, etc. Tempos atrás bebemos um Sgarzon e um Morei feito por ela. Belos vinhos! Este Granato é um 100% Teroldego de um vinhedos antigos que ocupam não mais que 4 hectares. A fermentação é feita em grandes tinas abertas, e a maturação por 18 meses em barricas. A rolha deste 2004 já estava baleada, mas uns 20% do topo estavam intactos. O vinho tinha uns aromas um pouco estranhos logo ao ser aberto, e precisou de um bom tempo para mostrar tudo que tinha. E tinha muito! Aromas de amoras, ervas, alcaçuz e minerais. Em boca era seco, com toques picantes e minerais. Apesar da idade, os taninos estavam presentes e clamavam por uma carne gordurosa (que não veio). Ótimo vinho! Nada de modernidade, novo mundo, internacionalização etc. Um comentário: Obviamente, ficou feliz de beber um vinho oriundo de uvas não tratadas com químicos etc etc. Ou seja, o chamado vinho "natural" (entre aspas por que o termo é controverso). No entanto, não é isso que garante sua qualidade. Tem gente que acha que vinho tem que ser "natural", mesmo que seja ruim (e tem muito vinho ruim feito de forma "natural"). No caso, este Granato é "natural" e excelente, pois é obra de uma grande enóloga. 
E para fechar, o JP levou um belíssimo Brunello di Montalcino Castiglion del Bosco 2012. Acho que foi o primeiro Brunello 2012 que mandamos ver. Dizem que a safra vai brigar pau a pau com a 2010. Espero que sim. E como eu bebi o 2010 do mesmo produtor, posso tirar uma conclusão: Para mim, o 2012 está melhor! No começo, até pensei que o JP estava fazendo um sacrilégio ao abrir um Brunello tão novinho. E já no nariz ele confirmava um pouco isso. Em boca, no começo, muito nervo e taninos poderosos. Mas como o tempo aberto lhe fez bem! Foi se abrindo em notas de cereja seca, flores, ervas, tabaco, couro e alcaçuz. Tudo isso, em um fundo terroso muito agradável. Os aromas de ervas deram o show mais para o final da noite. Em boca, acidez vibrante e taninos firmes, que pedem alguns anos para se arredondarem, mas que devem enfrentar uma picanha gordurosa com maestria! A mineralidade do vinho também surpreendeu. Um  belíssimo Brunello, que deve evoluir maravilhosamente na adega. Se for beber agora, tem que abrir com boas horas de antecedência, tomar uma tacinha e deixar o bichão respirar. Aí você verá o quanto ele evoluí. Nessa noite, só lamentei não termos apreciado uns bifes de Chorizo, bife Ancho ou uma boa picanha. Os vinhos eram para essas carnes.
Isso aí!


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Ventisquero Grey Ultra Limited Release 2011: Muito bom!

Ventisquero Grey Ultra Limited Release 2011: Como o próprio nome diz, este vinho é uma edição limitada da vinícola chilena Ventisquero. A produção foi pequena. parece que de apenas 700 garrafas. É feito com Cabernet Sauvignon, Carménère, Merlot e Petit Verdot e maturado por 14 meses em barricas de carvalho francês 50% novas. Cor bonita, brilhante e límpida, e aromas de cassis e framboesa, em meio a notas picantes, e com o tempo, mentoladas. Em boca, ótimo frescor, picância e taninos redondos. A Carménère aparece com o apimentado, mas ele é bem controlado e não incomoda. Com o tempo aberto tudo vai se equilibrando e o vinho fica muito agradável, com um aroma mentolado que dá charme ao conjunto. Muito bom vinho, que adquiri por um ótimo preço pela sua qualidade. Espero que um dia volte ao estoque da Wine.  

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Domenico Clerico Barbera D'Alba Trevigne 2006: Ótimo parceiro para uma massa!

Domenico Clerico não produz "apenas" grandes Barolo, como o Pajana e Percristina. Produz também este Domenico Clerico Barbera D'Alba Trevigne 2006, que é um ótimo parceiro para massa com molho vermelho. É um 100% Barbera feito com uvas de 3 vinhedos: Dois que são parte do Cru Ginestra (com 3 hectares) e um, de apenas 0,8 hectares, do Cru San Pietro. A maturação ocorre por 16 meses, sendo 50% em barricas de carvalho francês e 50% em barris maiores, de 5000 litros. Apesar dos seus 11 anos, o vinho, de grande safra, está vivão. Aromas de amoras, florais e de chocolate amargo. Em boca é seco, com ótima acidez, mineralidade e taninos firmes. O final não é lá dos mais longos, mas muito agradável. Tipo de vinho que eu gosto: Sem exageros, mais seco, sem excesso de extração e boa companhia para comida... Mandei ver com um Fettuccine com linguiça e ele casou muito bem.


domingo, 20 de agosto de 2017

Para começar (muito) bem a semana: Penfolds Grange 1997 - Uma Maravilha!

Dias atrás sentamos Tonzinho, Paulinho e este que vos escreve para beber um grande vinho: Penfolds Grange 1997! Já há algum tempo o Tom queria bebê-lo, e este estava na adega aguardando o momento. Embora atualmente possam ser encontrados vinhos australianos até mais caros que ele, acredito que nenhum ainda alcançou a representatividade que o Grange tem no mundo. O vinho foi feito pela primeira vez pelo enólogo Max Schubert em 1951, aplicando procedimentos franceses e com a pretensão de competir com os melhores vinhos daquele país. Recentemente, um exemplar de 1951 foi adquirido em leilão por cerca de 50.000 doletas. Em 1975 Max Schubert se aposentou e passou o bastão para Don Ditter, que já trabalhava na Penfolds. Ditter ficou até 1986, quando se aposentou e deixou a tarefa para o grande John Duval, que ficou até 2002. Com a saída de Duval, assumiu, e permanece até hoje, Peter Gago, que foi o responsável pela produção do Grange 2008, o primeiro vinho do novo mundo a ganhar 100 pontos de duas das maiores revistas especializadas em vinhos, a Wine Spectator e a Wine Enthusiast. Quem quiser saber um pouco mais e ver um vídeo legal sobre a história do Grange, clique aqui. Bem, mas vamos a este Grange 1997, obra do grande John Duval. O Grange é feito majoritariamente com Shiraz, de diferentes locais (a vinícola diz ser um blend multi-regional) e uma pitadinha pequena de Cabernet Sauvignon. No caso deste 1997 foram utilizadas 96% Shiraz e 4% CS. Como pode ser visto no rótulo, ele faz homenagem ao seu grande criador, Max Schubert, que faleceu em 1994. Não sabíamos o que esperar ao abrir, considerando seus 20 anos. Mas a rolha, perfeita, sem nenhum defeito, já mostrou o excelente estado do vinho, conhecido pela longevidade. A primeira taça já mostrava que uma decantação lhe faria bem. O vinho parecia novo. Nada daqueles Shiraz explosivos, superextraídos, geleiona etc. Cor bonita e aromas finíssimos, florais, de amoras e mirtilos, em meio a chocolate amargo e, com um tempo, um mentolado delicioso e notas de café. Em boca, repetia o nariz e mostrava grande clareza, elegância, frescor e taninos finíssimos. Vinho cheio de camadas. O final era muito longo e muito prazeroso, como esperado. Estou com o gosto dele até hoje no pensamento. Vinho belíssimo! Sem dúvida, um dos melhores que bebi. Justifica a fama, com tranquilidade. Barato, obviamente não é, ainda mais depois do 2008, que faturou o double 100 pontos e inflacionou o danado. Mas melhor um deste, que um monte de zurrapas. Os outros confrades, que não participaram do evento, perderam a oportunidade de beber algo realmente particular. Vinhaço!!!


Paul, Tonzinho e eu.





quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Almanegra Orange 2016: Uma bela novidade de Ernesto Catena!


Não é sempre que surgem novidades no mundo do vinho. Tem muita coisa igual, sem a capacidade de surpreender paladares. Bem, os chamados "vinhos laranja" também não são novidades, mas este Almanegra Orange 2016, de Ernesto Catena, sai do campo "normal", é novidade no mercado e agrada muito. A garrafa é algo a parte. Bonita, bojuda, pesada, rotulada à mão, com rolha usadas em vinho do porto. De muito bom gosto. O conteúdo, não fica atrás. Como em outros "vinhos laranja", as uvas são fermentadas com as cascas, dando a cor característica. Aliás, que uvas? A identidade não é revelada. Eu acho que tem Chardonnay e Semillon, mas é só chute. Torrontés, talvez? O vinho é depois maturado por 9 meses em barricas, o que lhe agrega ótima complexidade, mas sem deixar marcas. Além da cor linda, o vinho é muito aromático. São claras as notas florais e de damasco, em um fundo cítrico, leve mel,  e amendoado. Em boca é seco, mas volumoso, tem boa acidez e final longo e frutado. Desce fácil! Delicioso! Para beber solo ou acompanhar comida. Acredito que encare até uma sobremesa. Não pelo dulçor, mas pelo volume e pela fruta que é estrela neste vinho. Como para outros vinhos laranja, a temperatura é chave. Embora não haja problema em bebe-lo mais resfriado, o ideal é apreciá-lo em temperatura entre 10-12 graus, quando ele exala melhor os seus aromas. Recomendo! Comprei na VinhoBr. Obs: Apenas 2.666 garrafas foram produzidas, de maneira artesanal. O contra-rótulo traz uma frase legal do Ernesto: "Orange es la bandera de guerra que alzamos junto a los productores de vinos artesanales contra la industrialización del arte de hacer vinos".
Vejam que bela cor!




quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Quem Procura, acha! Procura 2012, La Vicalanda Reserva 2009 e outros

Esta reunião da confraria já tem um bom tempo... Mas achei as fotos e quem procura, acha! E quem achou um belo vinho para nos brindar foi o Paulinho, Rei dos Portugueses: Procura 2012! O nome do vinho vem mesmo da procura feita pela produtora, a espanhola Susana Esteban, por vinhas no Alentejo para fazer seus vinhos. E segundo ela, essa procura só terminou em 2011, quando encontrou duas parcelas muitos especiais. A primeira, de Alicante Bouschet, de baixíssima produção, plantada em solos xistosos. A segunda, uma mistura de castas em Portalegre, também de baixa produção, em uma região muito fresca. O Procura 2012 foi feito com Alicante Bouschet (45%) e outras castas (55%). A fermentação foi em inox e a maturação em barricas de carvalho francês 30% novas, por 16 meses. A produção foi pequena, de apenas 5.100 garrafas. É um vinho especial! Cor escura, bonita, brilhante. Aromas de fruta madura, tabaco, chocolate e grafite. Em boca, intensidade e muito frescor, com taninos presentes e muito acertados. O vinho é sedoso, cremoso, com final longo e mineral. Os 14,5% de álcool não se fazem notar. Uma beleza! O melhor da noite, disparado! Vinhão!

O Joãozinho levou um La Vicalanda Reserva 2009. O vinho, riojano das centenárias Bodegas Bilbaínas, é um 100% Tempranillo produzido com uvas cultivadas com manejo sustentável, sem uso de inseticidas. A maturação é feita em barricas novas de carvalho francês Allier, com tostado médio, por 14 meses. Trasfegas são realizadas para dispensar filtração ou colagem. Após engarrafamento, o vinho descansa no mínimo 24 meses em garrafa antes de ir ao mercado.  O vinho tem aromas vivos, de cereja, ameixas, casca de laranja, alcaçuz e especiarias, como cravo e canela. Em boca mostra ótima acidez, mas ainda está nervoso, tânico. Talvez se acalmasse com alguma decantação. O fato é que precisa de uns anos para dar uma sossegada. Mas é um vinho com muita estrutura e bom futuro. 


O Caião levou um Carmelo Patti Malbec 2007. Deste a turma é fã. Eu prefiro o Cabernet Sauvignon do produtor (e o blend), mas o Malbec também é bom. Tem cor mais clara, cereja, e aromas de framboesas e especiarias doces. Em boca mostra boa acidez, especiarias e taninos redondos. Um toquezinho de couro também é presente. Um bom Malbec de Carmelo Patti, sem exageros doces e diferentes dos padrões "Malbequianos" tradicionais. Bom vinho.

O Tonzinho levou embrulhado um Casillero del Diablo Legendary Collection 2011. O vinho é uma edição especial feito com 90% Cabernet Sauvignon e 10% Carmenére. Passa 14 meses em barricas francesas e americanas. Não teve erro - A turma matou na hora que era um CS chileno. O apimentado não deixava dúvidas. Mas ele não era exagerado. E não é que o vinho era bom? Claro que não era nenhuma Brastemp, mas era bem feito. Aromas de cassis, ameixas, cacau e pimenta do reino. Em boca, repetia o nariz e mostrava taninos finos, em um fundo mineral. Bom vinho. Parece que traz assinatura de jogadores do Manchester. Mas não sei quais...rs.
E para finalizar, um vinho doce, de sobremesa, levado pelo JP: Achaval Ferrer Dolce Malbec 2012. Já vi gente falar bem deste vinho, mas não será o meu caso. Se já tenho restrições a muitos vinhos de mesa feitos com a Malbec, pelo dulçor, imagina um doce prá valer, que tem doce até no nome? Parece que é feito utilizando uma abordagem similar ao ripasso. Bem, pense em algo doce e adoce um pouco mais. É isso! Muito doce para o meu gosto. Aliás, para o gosto de todos os confrades. Ninguém conseguiu beber muito dele. Mas deve ter gente que não ache tanto. Ah, e não é barato o danado.
Isso aí!




domingo, 6 de agosto de 2017

Chablis Billaud-Simon Grand Cru Vaudésir 2010: Grande Vinho!

Domaine Billaud-Simon Chablis Grand Cru Vaudésir 2010: O Akira abriu este vinhão em meu aniversário. O produtor é um dos mais populares de Chablis. Vaudésir é um dos sete Grand Cru de Chablis, e gera vinhos menos musculares que seus irmãos Les Clos e Valmur. O interessante é que ele abriga o vinhedo La Moutonne, de apenas 2,5 hectares, que não entra na AOC mas que é extraoficialmente considerado como se fosse um oitavo Grand Cru. Este Billaud-Simon Vaudésir 2010 tinha cor linda, amarelo clara, dourada. Aromas ricos de cítricos, casca de limão siciliano, maçã verde, nozes, leve mel e minerais. Em boca, intenso, seco, vibrante, fresco e mineral. Uma beleza de Chablis, com o frescor peculiar e a complexidade esperada de um Grand Cru. Evapora logo da taça! Excelente! Para beber solo ou acompanhando comida. O pessoal recomenda foie gras, lagosta e camarões. Uma falha: Faltou a foto da taça, importante para os brancos (como sempre diz meu amigo Eugênio Decantando...)

Nota: É bom ressaltar que um Chablis Grand Cru tem preço melhor que outros grandes brancos borgonheses de qualidade similar. 





sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Momento de tristeza: Sensei Sasaki partiu

Sensei Sasaki. 8o Dan Shotokan pela Japan
Karatê Association. Figura adaptada do site:
http://www.fpktradicional.com.br
Quando iniciei minha pós-graduação em São Paulo, queria usar bem meu tempo, não apenas para os trabalhos científicos, mas também, para cuidar do meu corpo e mente. Sempre pratiquei esportes, e era iniciante no Karatê. Fui ao Centro de Práticas Esportivas da USP querendo me matricular na arte das mãos vazias. Informaram-me, no entanto, que o semestre já havia se iniciado, e que se eu quisesse, teria que falar diretamente com o professor. Mal sabia eu que se tratava do Grande Mestre, Sensei Yasuyuki Sasaki. Era uma terça-feira e havia aulas à noite. Fui então um pouco antes da aula começar, já com meu kimono, falar com o Sensei sobre a possibilidade de praticar Karatê. Ao entrar no ginásio, ainda vazio, me deparei com uma figura imponente e ao mesmo tempo calma, sentada no dojô realizando seu aquecimento. Ele era assim, sempre chegava antes dos discípulos. Caminhei em direção a ele, me sentei em posição de respeito e o cumprimentei. Ele olhou para mim, pediu um tempo, e depois de alguns minutos foi falar comigo. Disse-lhe de minha vontade, e ele, rapidamente, buscou um diário que trazia os nomes dos alunos. Passou o olho por ele e riscou um dos nomes, de um aluno que já havia faltado quatro vezes, colocando o meu no lugar. Obviamente, fiquei muito feliz e lhe perguntei quando iniciaria. Ele respondeu surpreso: "Agora! Você não está de kimono? Entrou no lugar de alguém que já tinha 4 faltas, portanto, não pode faltar mais". Fiquei feliz e fiz meu primeiro treino. Aliás, não foi meu primeiro treino como aluno do Sensei Sasaki - Foi meu primeiro treino de Karatê! Considerei que aquele era meu início, que tudo que havia feito antes, era nada. E tinha toda a razão. Nos incontáveis treinos, extenuantes, como sempre, tive o prazer de desfrutar dos ensinamentos de um grande mestre. Fui um privilegiado! Além dos refinados ensinamentos técnicos, recebi do Sensei grandes lições de caráter. Lembro-me de inúmeras conversas que tivemos, no CEPEUSP ou nos famosos Gashukus em São Roque. Algumas delas, me deram força para superar as inúmeras dificuldades que passei. Certa vez, no final de um treino, entre dezenas de alunos, ele olhou para mim e me convidou para tomar um suco de laranja na cantina do CEPÊ. No caminho, me disse que havia notado que eu estava passando por dificuldades. Com toda a sua filosofia e sensibilidade, o Sensei Sasaki foi me dando força, por meio de suas metáforas e experiência de vida. Nesta conversa, especificamente, ganhei forças para concluir meus trabalhos e continuar em frente. O Sensei fará muito falta. Ele representou muito para o Karatê brasileiro. Formou um número imenso de Karatecas que hoje, perpetuam seus ensinamentos. Ele não era um Professor de Karatê. Era um Mestre! Não ensinava um esporte, e sim, uma Arte Marcial. Sensei Sasaki não era, Sensei Sasaki é! Hoje foi um dia triste, de recordações e muita gratidão ao mestre que tive o prazer de ter. Hoje, em sua homenagem, farei o Kata Hangetsu, que ele gostava muito (e eu também). 

Oss!



Bela noite: Alfa Centauri Sauvignon Blanc 2008, Guidalberto 2011, Cortes de Cima Trincadeira 2011, Magnesia 2013, Alfa Crux Blend 2007 e Royal Tokaji 5 Puttonyos 2009!

Esta postagem também estava engavetada, há muito tempo. Foi uma noite com ótimos vinhos. 
Para começar, o vinho que levei: Alfa Centauri Sauvignon Blanc 2008. Sauvignon de O.Fournier, barricado, mais ao estilo Bordeaux que Loire. Recebeu muitos elogios da crítica, sendo considerado por alguns, o melhor feito com a casta tempos atrás. Cor bonita, brilhante, ele é rico em aromas cítricos, nozes e minerais. Em boca, repete o nariz e mostra-se denso e cremoso. Ótima persistência! Sauvignon de muita classe. Recomendado! O Rodrigo pediu um ceviche para acompanhar, mas a conclusão, muito acertada, foi que o prato estava ótimo, o vinho idem, mas os dois juntos não. Era Sauvignon para pratos menos frescos, mais encorpados.






Indo para os tintos, um ótimo Cortes de Cima Trincadeira 2011, levado pelo rei dos portugueses, Paulinho. Vinho com destaque para a fruta silvestre viva, toques florais e leve baunilha. Em boca, bom frescor e mineralidade. Havia provado tempos atrás, e gostado muito. Achei destaque entre os vinhos produzidos pela vinícola em 2011, na mesma faixa. 
O Thiagão levou uma novidade: Magnesia Öküzgözü 2013. O vinho é da Turquia, e feito com a uva Öküzgözü (quanta trema!). A fermentação é em inox e a maturação por apenas 6 meses em barricas usadas. Assim, não há marcas da madeira. O vinho tem cor clara e aromas frutados, de morango e framboesa. Em boca é bem leve, pouco tanino e com baixa acidez. Bem levinho e final curto, mas fácil de beber. Agradável, mas faltou "punch". Já não foi o caso dos dois tintos à direita dela na foto.
O Guidalberto 2011, da Tenuta San Guido, levado pelo Tonzinho, era um corte de Cabernet Sauvignon (60%) e Merlot (40%), com maturação por 15 meses em barricas francesas e uma pequena porcentagem em americanas. Ele tinha aromas ricos de cereja preta, amoras, alcaçuz e pimenta-do-reino. Intenso em boca, com ótima acidez e taninos finos. O final era longo e rico em especiarias. Belo vinho! Para alguns anos de adega ainda. Uma ótima apresentação ao seu irmão maior, Sassicaia...
O JP levou um querido da turma: Alfa-Crux Blend 2007. Mais um bom vinho de O.Fournier, já com um bom tempo de garrafa. Corte de Tempranillo, Malbec e Cabernet Sauvignon. Sempre digo que, com os olhos fechados, muita gente diria se tratar der um bom espanhol. Vinho com aromas de cereja, ameixas, toffee, especiarias e um fundinho de menta. Em boca, boa acidez, taninos macios e final longo. Muito gostoso, sempre.
E para finalizar a noite, acompanhando a sobremesa, um belo Royal Tokaji 5 Puttonyos 2009, levado pelo Caião. Delícia de Tokaji, com notas de damasco, cítricas, gengibre e mel. Fechou a noite com muita classe.
Isso aí!