sexta-feira, 20 de abril de 2018

Teho Tomal Vineyard Malbec 2011: Grande

Teho Tomal Vineyard Malbec 2011: Vinho da jovem e premiada bodega Teho e Zaha, feito com uvas de La Consulta. Teho  significa "Sangue da terra" na linguagem nativa Huarpe, de Mendoza. O vinho é feito com uvas de vinhedos de mais de 75 anos de idade, e é composto por 90% Malbec e 10% de um mix (field blend) de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Petit Verdot, Syrah e Tempranillo. As plantas são de baixo rendimento, possuindo 3-4 cachos por planta. O vinho matura por 18 meses em barricas novas de carvalho francês. O vinho tem uma bela cor granada, brilhante. Ao nariz msotra aromas florais, de cerejas, framboesa e minerais (grafite). Em boca apresenta ótima acidez, que lhe aporta frescor e equilibra o dulçor típico da casta (que não se faz tão presente). Os taninos são firmes e o final longo, floral e mineral. Um ótimo vinho, que foge do estilo da maioria dos Malbecs. Os vinhos Teho têm arrebatado altas notas da crítica. O Tomal 2014, por exemplo, foi eleito pelo crítico Tim Atkin o melhor vinho argentino, com 98 pontos! Logo devo beber o blend, que pelo jeito, é bão tamem!

Ps. Vinho garimpado e gentilmente enviado a este que vos escreve pelo amigo Vitor, ex-blog Louco por Vinhos. Valeu, Vitor!

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Champagne Duval-Leroy Brut

A Maison Duval-Leroy foi fundada em 1859 e seus champagnes têm grande reputação. Este Champagne Duval-Leroy Brut é o de entrada da casa, e é um blend de Chardonnay e Pinot Noir feito com uvas de 15 diferentes vinhedos. Mesmo sendo o de entrada, sempre leva elogios da crítica e já figurou algumas vezes entre os Top 100 da Wine Spectator. Tem cor bonita, palha esverdeada, e bolhas finas e persistentes. Ao nariz mostra notas cítricas, de maçã verde, giz, leve mel e levedura. Em boca é muito fresco e mineral, com acidez cítrica, boa cremosidade, final longo e com notas de maçã. É bem gostoso e indicado como aperitivo, ainda que acompanhe bem comida. Eu, particularmente, gostei mais de seu irmão "Fleur de Champagne". Mas este também é muito bom.










segunda-feira, 16 de abril de 2018

Tikal Jubilo 2012: Excelente!


Tikal Jubilo 2012: Vinho sempre muito bem avaliado pela crítica, produzido pelo competente e inovador Ernesto Catena. Este 2012 foi o mais bem pontuado pela Wine Spectator, que o considerou highly recommended e lhe outorgou belos 94 pontos, à frente de seu irmão de 2007, que já pintou aqui no blog (clique aqui). Ele é um corte de Malbec e Cabernet Sauvignon, que varia a cada ano (em 2012 foi 60/40, respectivamente). A maturação foi feita por 12 meses em barricas novas de carvalho francês (65%) e americanas de segundo uso (35%). O engarrafamento foi feito sem colagem e filtração. Ao nariz o vinho é bastante agradável, com notas de ameixa, cereja preta e cassis, em meio a chocolate amargo e especiarias doces. Em boca, repete o nariz, mostra boa acidez e taninos muito sedosos. A Cabernet Sauvignon equilibra muito bem o dulçor da Malbec e dá textura mais pegada ao vinho, que é persistente e possui final especiado e com notas achocolatadas. Muito elegante, redondo e sedoso, sem ser enjoativo. Para mim, degraus acima de seu irmão de 2007. Muito bom! 

No dia seguinte: Metade da garrafa ficou para o dia seguinte, quando gostei ainda mais do vinho. O vinho ganhou ainda mais vivacidade. A ameixa deu lugar a fruta mais fresca, lembrando cranberry, e toques de tabaco, grafite e alcaçuz agregaram complexidade ao vinho. A ótima acidez ficou ainda mais evidente. Isso demonstra que o vinho deve ganhar em adega, e que, se for bebido agora, uma decantação lhe fará muito bem. Saltou de muito bom para excelente! E acompanhou um bife de chorizo na brasa com maestria! Vinhão! Isso mostra que muitas vezes perdemos muito dos vinhos bebendo logo ao ser aberto, sem dar chances de que ele se mostre. 



sexta-feira, 13 de abril de 2018

Mosquita Muerta Blend de Blancas 2015: Gostei!


Mosquita Muerta Blend de Blancas 2015: Branco argentino feito com uvas oriundas de 5 lugares diferentes. Chardonnay de Gualtallary (40%), Chardonnay de Los Árboles (40%, fermentado em barricas, sur lie), Viognier (10%), Moscatel de Alexandria (5%) e Sauvignon Blanc. O vinho tem cor palha, clara. Aromas florais e de pêra, abacaxi e maçã verde, em um fundo com leve mel e tostado. Demora um pouquinho a se abrir. O estágio em  barricas com leve tosta, de parte da Chardonnay, lhe confere um toque tostado. Mas o vinho não tem exagero no amanteigado, côco e abacaxi, o que me incomoda em muitos Chardonnay do novo mundo. Em boca, bom frescor e final frutado. Achei bem legal o vinho!




quarta-feira, 11 de abril de 2018

Esquenta da celebração: Crozes-Hermitage Silène J.L. Chave 2012, Chateauneuf du Pape Durieu 2010, Altos Las Hormigas Malbec Vista Flores 2007 e Brunello di Montalcino Bergollo 2012

A turma estava feliz com o as notícias da semana e levou só coisa boa na última quinta-feira. A peleja foi bem  equilibrada, com ótimos vinhos, e o JP levou um que gostei muito, o Crozes-Hermitage Silène J.L. Chave 2012. O produtor é renomado e o vinho, de ótima qualidade. Ao nariz notas de amoras e cerejas, em meio a notas apimentadas e minerais. Em boca, repete o nariz e mostra boa acidez. Destaque para seu lado mineral. Muito bom! Acima das média em questão de Crozes-Hermitage.
O Caio levou um Altos las Hormigas Vista Flores 2007. O vinho evoluiu muito bem nesses 11 anos e mostra grande complexidade. Ao nariz notas de ameixa e cassis, em meio a notas tostadas, de couro e alcaçuz. Em boca é concentrado, mas não o traz dulçor exagerado da Malbec. Os taninos são maduros e o final longo e com notas de alcaçuz e couro. É redondo e acompanha muito bem a comida. Excelente vinho, que ganhou com a maturidade! Está no seu apogeu.
O Thiago levou o Brunello di Montalcino Bergollo 2012. Esta safra originou belos Brunellos, que me agradaram até mais que  os 2010 (pelo menos até agora). É um vinho no estilo mais moderno, com notas de cereja, tosta e alcaçuz. Em boca ainda mostra juventude, com taninos ainda pegados. Mas já é apreciável com uma decantação. O final é longo e com toques especiados.
Para finalizar, o vinho levado por este que vos escreve: Chateauneuf-du-Pape Domaine Durieu 2010. CdP de grande safra feito majoritariamente com Grenache (80%), cortada com Syrah (10%), Mourvède (5%), Cinsault (3%) e Counoise (2%). A Grenache dá o tom. O vinho tem aromas de ameixas frescas, amoras, vegetais, bolo de frutas e grafite. Em boca acidez vibrante, fruta fresca, vegetais e taninos firmes. Ao ser aberto mostrou-se pegado, nervoso, mas com o tempo foi ficando mais redondo. Gastronômico por natureza. Muito bom agora, mas poderia ter descansado mais uns dois anos na adega.





terça-feira, 10 de abril de 2018

Quinta da Ponte Pedrinha branco 2012: Ótimo vinho do Dão!

Comprei este Quinta da Ponte Pedrinha branco 2012 no último bota-fora da Mistral, por um preço mais que justo pela ótima qualidade do vinho. A compra foi também incentivada após ler um artigo sobre o 2014 no ótimo blog Pingas no Copo. O autor, Pingus, recomendou fortemente o vinho e não tive dúvidas, pois não conheço ninguém que conheça tão bem os vinhos do Dão quanto ele. Ainda mais se forem os brancos. A Quinta Ponte da Pedrinha fica na sub-região da Serra da Estrela e é propriedade da Sra. Maria de Lourdes Mendes Oliva Nunes Osório, cuja família é dona da Quinta há quatro séculos. Seus vinhos se destacam pela qualidade, apelo gastronômico e ótimo preço. Segundo o contra-rótulo, este branco de 2012 é feito com Encruzado e Malvasia Fina. Sua cor é bonita, citrina, dourada, e os aromas remetem a maçã verde, leve mel, notas herbáceas e minerais bem evidentes. Estas últimas são marcantes, lembrando giz e querosene (remetendo a aromas da Riesling). Vai mudando em taça com o tempo e é melhor se bebido não muito gelado, e sim, entre 10-12 graus. Em boca é seco e destaca-se pela ótima acidez e mineralidade. Vinho fresco e com final médio e levemente herbáceo. A persistência não é lá das maiores. Mas resolve-se tomando mais um gole, pois o vinho é muito gostoso. Fica ainda melhor com comida. Eu apreciei com uma bela posta de bacalhau, que ele escoltou muito bem. Se você comprou este vinho no bota-fora, fez bom negócio! E este 2012 não mostra o mínimo sinal de cansaço, devendo ainda durar um bom tempo.





segunda-feira, 9 de abril de 2018

Barranco Oscuro Cerro las Monjas 1368 2003: Vinhaço natural granadino!

Meu amigo Marceleto, em uma de suas viagens a Espanha, passou por Granada e me trouxe alguns vinhos naturais de lá. Eu já havia bebido lá mesmo o belíssimo Syrah Rubaiyat e ficado impressionado com os vinhos da vinícola Barranco Oscuro. Este 1368 Cerro las Monjas 2003 é um vinho top da vinícola, e seu nome remete à altura dos vinhedos, considerado os mais altos da Europa. O vinho é produzido por Manuel Valenzuela, na D.O. Andalucia, região de Granada. Pertence à classe dos vinhos naturais, fermentado com leveduras da própria uva, com o mínimo de intervenção e sem adição de sulfito. Este 2003 é feito com Garnacha (30%), Syrah (30%), Cabernet Sauvignon (15%), Cabernet Franc (10%), Merlot (10%) e Tempranillo (5%), de baixa produção e vinificadas separadamente. A maturação é feita em barricas de carvalho francês por 17 meses. Apenas 8.300 garrafas foram produzidas. O vinho mostrava uma cor muito bonita, granada, brilhante. Ao nariz, aromas riquíssimos que invadiam o ambiente. Notas florais, de ameixa fresca, cerejas, azeitonas, balsâmicos, caixa de charutos e notas terrosas. Uma beleza! Em boca, frescor, mineralidade e taninos finíssimos. O final era longo e mineral. Muito equilíbrio e grande vivacidade. Lembrou-me excelentes Prioratos, como o Mas DoixNada de superextração, ou madeira sobressaindo. E tampouco aromas de Brett etc, por vezes presentes nos ditos vinhos "naturais". É um vinho sensacional! E para mim, não é por que é "natural". Obviamente, é melhor que seja feito assim, sem pesticidas nos vinhedos, conservantes etc. Claro que, se o vinho é bom e ainda é feito da forma mais saudável e artesanal possível, tanto melhor. Mas o fato é que, a meu ver, um vinho não é bom, ou deva ser assim considerado, só por que é natural, orgânico ou biodinâmico. Ele deve ter qualidades e ausência de defeitos. E suas qualidades são produto de vários fatores, mas penso que, principalmente, do uso de boas uvas e produção cuidadosa de um grande enólogo (que é o caso!). Mas devo dizer que todos os vinhos "naturais" espanhóis que bebi até hoje me agradaram muitíssimo. E este 1368, não fugiu à regra. Recomendadíssimo! Logo abaterei o 2001, que veio na mesma remessa.



sexta-feira, 6 de abril de 2018

Brancaia Chianti Clássico Riserva 2009: Redondinho!

Os vinhos da Casa Brancaia são muito bem feitos, desde os mais simples, como o TRE. Este Brancaia Chianti Clássico Riserva 2009 fica uns degraus acima, já apresentando os vinhos tops da vinícola, como o Ilatraia e Il Blu. Ele é feito com Sangiovese (80%) e Merlot, que lhe aporta muita maciez. O vinho matura por 16 meses em barricas de carvalho, sendo metade em barricas novas e a outra metade, em barricas usadas. Isso contribui para que a madeira não deixe tantas marcas e a fruta se manifeste. Ao nariz o vinho mostra notas de cereja preta e cassis, em meio a alcaçuz, tabaco e chocolate. Em boca mostrou-se muito macio, sedoso, com taninos devidamente arredondados pelo tempo. A boa acidez equilibrava o conjunto, tornando o vinho muito agradável. O final é médio e achocolatado. Muito bom vinho, que faturou merecidos 91 pontos da WS e 92 da Wine Enthusiast. Já está prontinho para beber e não acredito que evoluirá mais em garrafa. 






quarta-feira, 4 de abril de 2018

Gravner Ribolla Gialla Anfora 2005: Que vinhaço!!!

O esloveno Josko Gravner produz grandes vinhos na região de Friuli-Venezia Giulia, Norte da Itália. São tintos e brancos espetaculares. Os dois tintos que apreciei dele eram realmente sensacionais (clique aqui). No entanto, acho que ele é mais conhecido pelos seus vinhos chamados "laranja", brancos fermentados por longo tempo em ânforas de terracota juntamente com as cascas e que desenvolvem uma coloração alaranjada. Os vinhedos de Gravner ocupam uma pequena área de apenas 18 hectares, sendo alguns, na sua pátria, a vizinha Eslovênia. Ele pratica a produção chamada "natural", com pouca intervenção, utilizando as leveduras presentes na própria fruta, cultivo de vinhedos sem pesticidas e sem uso de conservantes. A fermentação deste Gravner Anfora Ribolla Gialla 2005 foi feita em ânforas da Geórgia mantidas enterradas no solo. A maceração é longa e sem controle de temperatura. Depois da separação do vinho do debris ele é devolvido para as ânforas, onde passa mais 5 meses antes de entrar na fase de maturação em barricas de carvalho, o que ocorre por longos 4 anos. O vinho é engarrafado em garrafas escuras, sem filtração. A cor deste Ribolla 2005 era algo incrível! Alaranjado brilhante, dourado, muito límpido. Os aromas eram incríveis, florais, de damasco,  abacaxi, cardamomo, frutas secas, cítricos e minerais. Mudavam a cada minuto na taça. Em boca, repete o nariz e mostra acidez vibrante e mineralidade. O final era interminável e com notas de damasco, amendoado e cardamomo. Uma maravilha de vinho! Intenso, com grande estrutura, fresco, mineral e com grande persistência. É daqueles que a gente chora quando acaba. É para ser apreciado como os grandes Tondonia, de Lopez de Heredia, ou seja, devagar e não muito gelado. Como pode ser visto pela forma de produção, a chance de ocorrer um "desastre", sem uso de conservantes, é grande. Mas a habilidade do produtor é grande, e seus vinhos são verdadeiras obras de arte. Isso tudo, claro, reflete em seus preços, que costumam ser salgados. Mas trata-se de vinhos realmente notáveis e que não podem deixar de ser apreciados por bebedores de bom gosto. É, para mim, juntamente com o Trebbiano d'Abruzzo Valentini, destaque total entre os brancos italianos. Aliás, me arrisco a dizer que figura entre os melhores brancos do mundo. 




segunda-feira, 2 de abril de 2018

Montes Folly 2006: Um grande Syrah chileno!

Aurélio Montes produz grandes vinhos no Chile, Argentina (Kaiken) e EUA (Napa Angel). O seu Montes Folly é, para mim, um dos melhores Syrah chilenos, ao lado do La Cumbre, Gravas del Maipo e de um "menos caro", mas também muito bom: Tanagra, da Villard. O Montes Folly é sempre muito elogiado pela crítica, e com razão. Este Montes Folly 2006, já com seus 12 anos, mostra ainda força. É um vinho com aromas de amoras maduras, ameixas, chocolate amargo, café, alcaçuz e outras especiarias. Em boca, repete o nariz e é concentrado, mostrando fruta madura, mas também, bom frescor. O final é longo, com notas de café e levemente picantes. Eu acho que ele atingiu o seu máximo e não evoluirá mais. No entanto, está excelente! Vinhão ofertado pelo Paolão!


quinta-feira, 29 de março de 2018

Feudi di San Gregorio Piano di Montevergine 2002: Bom vinho de safra fraca!

Feudi di San Gregorio Piano di Montevergine 2002: Vinho de grande produtor da Campania, sub-região Taurasi. As uvas provêm de um vinhedo símbolo da Feudi di San Gregorio, o Piano di Montevergine, onde as videiras dividem espaço com pés de avelãs e oliveiras. É um Aglianico 100% maturado por 18 meses em barricas e botti de 500 litros e adicionais 2 anos em garrafa antes de sair ao mercado. Ao nariz o vinho mostra notas de cassis, cereja, balsâmicas, tabaco, café e alcaçuz. Em boca, repete o nariz, mostra boa acidez e taninos maduros. É persistente e com final rico em alcaçuz e especiarias. Muito bom! Um vinho que mostra o potencial da Aglianico, mesmo em uma safra considerada fraca na Itália. Produtor bom é isso!






quarta-feira, 28 de março de 2018

Clos Apalta 2013: Um gigante chileno!

Os vinhos da Casa Lapostolle são considerados os mais franceses feitos no Chile. Lembro de um Cuvee Alexandre Cabernet Sauvignon 2001 que bebi com alguns anos nas costas, e que me deixou impressionado pela qualidade. Mas quando o assunto é o Clos Apalta, é outro comprimento de onda. O vinho tem como base a Carmenére, que nem é minha uva preferida, mas que no Clos Apalta, junto com outras, ganha riqueza e elegância ímpares. E não sou só eu que acho isso. O da safra 2000 foi terceiro na lista dos Top 100 da Wine Spectator em 2003. O 2001, segundo na lista de 2004, com 94 pontos e o 2005, foi primeirão na lista de 2008, com gordos 96 pontos. Este último, inclusive, já pintou aqui no blog (clique aqui). O Clos Apalta é feito com uvas de vinhedos antigos, plantados em 1920 no Vale Colchagua, cultivados de forma orgânica e biodinâmica. As uvas são colhidas e desengaçadas à mão e a fermentação realizada por leveduras da própria uva. A fermentação é feita em vats de madeira de 750 litros (77%) e barricas novas de carvalho francês (23%). A maturação ocorre por 28 meses em barricas novas de carvalho francês. Não é realizada qualquer tipo de estabilização ou filtração. O corte varia de ano para ano, e este 2013 foi feito com 70% Carmenére, 21% Cabernet Sauvignon, 7% Merlot e 2% Petit Verdot. Ao nariz o vinho mostra notas de fruta madura, amoras, cereja preta e cassis, em meio a notas de café, alcaçuz, pimenta e canela. Em boca, repete o nariz, mostra boa acidez e grande presença de fruta madura, alcaçuz e chocolate amargo. Os taninos são redondos e o final longo, defumado e com notas de café, alcaçuz e especiarias. Muito complexo! E para um vinho com Carmenére como majoritária, não tem aquele exagero de pirazina, bem comum nos vinhos elaborados com esta uva. Acho que é o Clos Apalta mais "pronto" que já bebi. Com 5 anos e já está uma beleza para ir à taça! No entanto, a decantação é recomendada. 

Ps. Este danado foi uma oferta de nosso amigo Marcão, que sempre abre coisa boa prá gente, como este Clos Apalta, Almaviva, dentre outros.




segunda-feira, 26 de março de 2018

Noite Italianíssima: Brunello di Montalcino Casanova di Neri Cerretalto 2004, Brancaia Il Blu 2007, Barolo Il Zoccolaio Ravera 2005, Brunello di Montalcino Pian delle Vigne 2001 e Barolo Vietti Castiglione 2004

Dêem uma olhada na foto abaixo. Essa noite não foi brincadeira. E teve história. O JP sugeriu à turma adiantar nossa reunião para uma quarta, em vez de quinta. Eu iria acompanhá-lo, visto que também tinha impedimento na quinta. No entanto, todos foram, menos o Caio, que não podia ir na quarta e ficou cuspindo fogo. Magoou, tadinho... Também, perder os vinhos abaixo é para deixar qualquer um uma arara.
Noite de vinhos italianos na confraria. Tem um "abelhudo" no meio dos italianões. Coincidentemente, dois confrades levaram o mesmo vinho (ver as duas garrafas iguais do Barolão, à direita).

O Paulinho pegou pesadíssimo, levando um Brunello di Montalcino Casanova di Neri  Cerretalto 2004. Lembro que ele me enviou uma mensagem com uma foto, pedindo que eu escolhesse o vinho para ele levar. E não foi fácil escolher, pois eram todos grandes vinhos. Mas fiz uma bela escolha...rs. O Cerretalto, top da vinícola Toscana, coleciona altas notas da crítica especializada, inclusive, várias notas 100! Este 2004, por exemplo, levou 99 do Mr. Parker e 98 pontos da Wine Spectator. O vinho é grandioso! Aromas de cerejas, amoras, chá, tabaco e tostado. Em boca, belíssima acidez e taninos imponentes. Vinho cheio de camadas! Rico e cheio de classe, harmonioso, untuoso e ao mesmo tempo, muito elegante. O final, interminável, com notas minerais e achocolatadas... Vinhaço! Valeu, Paul!
Eu levei um Brancaia Il Blu 2007, que também fez (muito) bonito na noite. Gosto muito dos vinhos deste produtor. O Il Blu é um vinho top da vinícola. Este 2007 foi feito com Sangiovese (50%), Merlot (45%) e Cabernet Sauvignon. A maturação realizada por 20 meses em barricas. Se eu puder resumir este vinhos em poucas palavras, eu diria "maciez e elegância"! Incrível a sua harmonia. Ao nariz mostrava notas de cereja e amoras, em meio a especiarias, tabaco e chocolate. Em boca, bela acidez e taninos super sedosos! Elegância pura! E excelente complexidade... O final era longo e com notas achocolatadas. Uma delícia! Lembro-me que o Rodrigo gostou muito do danado (e eu também!). O Gambero Rosso lhe mandou 3 Bicchieri, o Duemilavini 5 cachos, Mr. Parker e WS 94 pontos e o Luca Maroni, que costuma distribuir notas perto de 100 pontos para muitos vinhos italianos, lhe outorgou pobres 85 pontos! Ou ele estava resfriado no dia, ou pegou uma garrafa ruim. Só pode...rs.
Tonzinho e Rodrigo chegaram, coincidentemente, com vinhos iguais! E não era um vinho comum. Poucas vezes aconteceu isso em nossa confraria, ainda mais com um vinho que não é facilmente encontrado no mercado. Bem, mandamos ver na garrafa do Rodrigo e o Tonzinho guardou o dele para um aniversário meu, que o bebi tranquilamente durante uma semana, apreciando uma taça por dia. E ficando muito feliz... Era um Barolo Il Zoccolaio Ravera 2005. Il Zoccolaio é o nome de um vilarejo que fica dentro de Bricco de Barolo. A vinícola possui 23 hectares de vinhedos, sendo 11 de Nebbiolo. Este Barolo, do Cru Ravera, é afinado por 36 meses em cascos de carvalho. É um Barolo de cor mais escura e estilo mais moderno. Tinha aromas de fruta madura, uva passa, tabaco e especiarias, em um fundo de chocolate amargo. Em boca era maduro, concentrado, em um estilo moderno e mais pronto para beber. A fruta madura, concentrada, dava o tom. Os taninos eram maduros, já redondos, e o final muito longo e com notas de chocolate amargo. É um estilo distinto de Barolo, menos mineral e sem aquelas notas de florais, mas que me agradou bastante. Muito gostoso!
E para uma comparação didática com o Barolo anterior, mas sem saber, claro, o Paolão levou este Barolo Vietti Castiglione 2004. Este, já fica no time dos Barolo tradicionais. Cor mais clara e aromas de pétalas de rosas, amoras e terrosas. Em boca, ótima acidez, mineralidade e taninos finos. Final longo e especiado. Um outro estilo de Barolo, mais fiel às tradições. Pede comida! Não foi o melhor Vietti Castiglione que bebi, mas estava muito bom.
E o JP fechou a noite com um Brunello da família Antinori, e de uma grande safra: Brunello di Montalcino Pian delle Vigne 2001. Aromas de cereja, tabaco, chá e especiarias. Em boca, boa acidez e taninos finos. Apesar de bom, eu esperava mais deste Brunello, ainda mais considerando a safra. Eu achei o danado linear, unidimensional. Depois, lendo algumas opiniões sobre ele, vi impressões coincidentes. E nesta noite, ele teve um adversário peso-pesado, mostrado acima.
Bem, como podem ver, não falei sobre um vinho da primeira foto. Na verdade, foi de propósito. Era um vinho australiano levado pelo Thiago. Como a noite era italiana, e o vinho não agradou muito, resolvi deixar o danado de lado...rs. 






sexta-feira, 23 de março de 2018

Aalto 2011, Triangle 2008 e Quinta dos Castelares Reserva 2014

Poucos confrades nessa reunião da confraria. JP abriu a noite com classe, levando um Aalto 2011. Sou fã do Aalto e este 2011 não fugiu à regra de sempre mostrar grande qualidade. Cor escura, aromas de cereja preta, ameixa, chocolate amargo, toque amadeirado, alcaçuz e outras especiarias. Em boca, ótimo conjunto, com boa acidez e taninos dando estrutura ao vinho.  Final longo e com toques de alcaçuz e caramelo. Uma delícia de vinho! Este não tem como errar. Isso aí, JP!


Eu levei o Triangle 2008, Cabernet Sauvignon da chilena Crazy Wines, que já pintou por aqui. No entanto, desde sua apreciação em 2012 o vinho mudou muito. Mostrava-se muito mais potente da primeira vez que bebemos, inclusive a cor era mais escura. Agora está rubi, bonita, brilhante. Os aromas também mudaram e o cassis reina em meio àquele toque apimentado típico e notas minerais. Em boca, ótimo frescor e taninos redondos. O final era longo e com notas minerais e apimentadas. Embora a pimenta, típica dos vinhos chilenos, desse o ar da graça, ela estava bem integrada e de nada incomodava. Pelo contrário, dava muito charme ao conjunto. Um belo vinho, com ótima evolução em 10 anos e que tinha potencial para mais na adega.


E para finalizar, o vinho levado pelo Paulinho: Quinta dos Castelares 2014. Duriense feito com Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional. Cor cereja e aromas de framboesa, cereja, canela e outras especiarias. O nariz indicava um vinho puxando para o lado doce, e a boca confirmou. Senti a Touriga Franca dando o tom. Apesar de ser macio, redondo, eu senti falta de mais acidez e mais pegada duriense. 





quarta-feira, 21 de março de 2018

Dulcamara 2011: Ótimo vinho da italiana I Giusti e Zanza!

Há tempos bebemos o Dulcamara 2006, vinho da vinícola Toscana I Giusti e Zanza. O vinho fez bonito em uma reunião da confraria. Mas este Dulcamara 2011 não ficou atrás, apesar da safra não ser tão boa quanto a de 2006. A vinícola é relativamente nova, criada em 1996, e fica em Fauglia, ao sul de Pisa perto de Livorno, a leste. A vinícola pratica agricultura orgânica e biodinâmica em seus 17 hectares de vinhedos, de baixo rendimento (0,6 kilos por planta). O Dulcamara é o seu vinho top, e geralmente é composto majoritariamente por Cabernet Sauvignon e quantidades menores de Cabernet Franc, Merlot e Petit Verdot. A maturação deste 2011 foi feita em barricas francesas de 300 litros, de média tosta, por 18 meses. O vinho tem cor escura e aromas de amoras, cassis e cereja preta, em meio a tabaco, alcaçuz e notas tostadas. Em boca, repete o nariz e mostra boa acidez. Os taninos já estão devidamente arredondados. O final é médio e com notas de especiarias doces e tosta. Muito sedoso e com ótima presença em boca. Lembra Bordeaux. Tem gente que torce o nariz para vinhos feitos com castas francesas na Itália, mas o fato é que o vinho é muito bom. 
Comprei este vinho a um ótimo preço na Mercearia 3M, do nosso amigo Idinir.